# 13 Projetos de Restaurantes Brasileiros que Todo Arquiteto Deveria Conhecer
Quando entramos em um restaurante marcante, dificilmente é apenas a comida que fica na memória. A iluminação, os materiais, a acústica, o mobiliário, a circulação, o paisagismo e até a maneira como enxergamos a cozinha ajudam a construir a experiência.
Na arquitetura gastronômica, cada decisão pode reforçar — ou enfraquecer — o conceito de uma marca. Selecionamos **13 restaurantes brasileiros** que mostram diferentes maneiras de transformar arquitetura, interiores e paisagismo em parte da experiência gastronômica. Mais do que referências estéticas, são projetos que trazem boas ideias para arquitetos e designers.
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1. Manioca JK Iguatemi — São Paulo, SP
- Arquitetura: Vitor Penha / Belezas Imperfeitas
- Cidade: São Paulo, SP
- Restaurante: Manioca — chef Helena Rizzo
O Manioca do JK Iguatemi parte de uma ideia particularmente interessante: criar dentro de um shopping uma atmosfera que lembra uma grande estufa. Estruturas metálicas, vegetação abundante e entrada generosa de luz ajudam a diminuir a percepção de que o restaurante está inserido em um centro comercial.
Mas um dos aspectos mais relevantes do projeto está na escolha dos materiais. Caixilhos metálicos foram reaproveitados de um antigo galpão industrial da Barra Funda. Madeiras de demolição ou certificadas aparecem no ambiente, enquanto o bar recebeu revestimento em taipa de pilão. Até as mesas incorporam essa lógica, com granilite produzido utilizando cascas de ostras.
- Materiais e elementos: Ferro reaproveitado, taipa de pilão, madeira de demolição, madeira certificada, granilite, vegetação e materiais reutilizados.
- O que chama atenção: A sustentabilidade não aparece como elemento decorativo; ela participa da própria concepção do projeto.
- Referência para arquitetos: Pensar a origem, o ciclo de vida e a possibilidade de reutilização dos materiais desde as primeiras decisões de projeto.

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2. Camélia Òdòdó — São Paulo, SP
- Arquitetura: Vitrô Arquitetura + Ana Guedelha
- Cidade: São Paulo, SP
- Restaurante: Camélia Òdòdó — chef Bela Gil
No Camélia Òdòdó, sustentabilidade também significa saber o que não demolir. Em vez de transformar completamente o imóvel, o projeto aproveitou características existentes e procurou reduzir grandes intervenções estruturais.
Piso e forro de madeira, tijolos de barro e concreto aparente ajudaram a determinar a linguagem do novo espaço. Parte dos resíduos provenientes da intervenção também ganhou nova função no deck externo, no banco localizado junto à calçada e em elementos do mobiliário. A combinação entre tons terrosos, madeira e vegetação cria um ambiente que conversa diretamente com a proposta gastronômica do restaurante.
- Materiais e elementos: Madeira, tijolo de barro, concreto aparente, materiais reaproveitados, vegetação e tons terrosos.
- O que chama atenção: A arquitetura parte do que já existia, em vez de tratar o imóvel anterior como uma folha em branco.
- Referência para arquitetos: Antes de especificar novos materiais, entender quais elementos existentes podem ser preservados, reinterpretados ou reutilizados.
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3. Aiô Restaurante — São Paulo, SP
- Arquitetura: Pianca Arquitetura
- Cidade: São Paulo, SP
- Conceito: Referências às raízes e memórias de Taiwan
O projeto do Aiô mostra como poucos elementos arquitetônicos podem construir uma identidade muito forte. A intervenção foi estruturada principalmente a partir de três decisões: uma nova cobertura e forro, a criação do balcão destinado ao bar e à confeitaria e uma nova fachada.
Na cobertura, um sistema do tipo Zetaflex é acompanhado por um forro composto por peças azuis. O balcão utiliza granito café-imperial escovado, enquanto a fachada recebe um caixilho metálico bicolor. Nos vidros, três texturas diferentes — martelada, lisa e pontilhada — adicionam profundidade ao conjunto. O resultado surge justamente do contraste entre materiais considerados cotidianos e outros tradicionalmente associados a acabamentos sofisticados.
- Materiais e elementos: Granito café-imperial, metal, vidro texturizado, peças de roda-teto e cobertura móvel.
- O que chama atenção: A combinação inesperada de materiais comuns e sofisticados.
- Referência para arquitetos: Identidade não depende necessariamente de materiais caros; muitas vezes ela nasce da maneira como elementos comuns são combinados.
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4. Restaurante Elena — Rio de Janeiro, RJ
- Arquitetura: Bernardes Arquitetura
- Cidade: Rio de Janeiro, RJ
- Localização: Jardim Botânico
O Elena ocupa uma antiga residência pertencente ao conjunto histórico conhecido como Chácara do Algodão, em frente ao Parque do Jardim Botânico. Diante desse contexto, a estratégia do Bernardes Arquitetura não foi competir com a construção existente.
O projeto procurou recuperar características originais da casa e preservar sua fachada histórica, enquanto as novas intervenções assumem uma linguagem mais neutra. O paisagismo funciona como elemento de conexão entre arquitetura, restaurante e bairro. No interior, madeira, vegetação pendente e superfícies antigas contribuem para uma atmosfera sofisticada sem eliminar as marcas do tempo.

- Materiais e elementos: Madeira, vegetação, paredes existentes, elementos históricos e cobertura retrátil.
- O que chama atenção: A capacidade de inserir um programa contemporâneo sem apagar a história do edifício.
- Referência para arquitetos: Em retrofit, preservar pode ser uma decisão projetual tão importante quanto construir algo novo.
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5. La Boulangerie 306 Sul — Brasília, DF
- Arquitetura: BLOCO Arquitetos
- Arquitetos: Daniel Mangabeira, Henrique Coutinho e Matheus Seco
- Área: 250 m² | Conclusão: 2024
Aqui, uma característica urbana típica de Brasília tornou-se protagonista do projeto. A unidade ocupa uma loja de esquina em um bloco comercial da Asa Sul, onde as marquises criam grandes áreas cobertas sobre a circulação pública.
O BLOCO Arquitetos decidiu utilizar justamente parte dessa varanda pública como salão da padaria. A solução aproxima o estabelecimento das tradicionais mesas de calçada e libera o espaço interno para cozinha, banheiros, brinquedoteca, sala de eventos e vitrine. Na fachada, o concreto foi moldado in loco e suas marcas de execução foram deliberadamente mantidas.

- Materiais e elementos: Concreto moldado in loco, concreto aparente, madeira natural, piso cerâmico e paisagismo.
- O que chama atenção: O limite entre estabelecimento comercial e espaço público torna-se menos rígido.
- Referência para arquitetos: A calçada, a marquise e o entorno podem fazer parte do projeto — mesmo quando estão além da área privativa.
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6. Padaria Martoca — São Paulo, SP
- Arquitetura: AIA Estúdio + Raphael Tepedino
- Equipe: Alice Tepedino, Raphael Tepedino, Marcela Rezende, Isabela Moraes e Matheus Amorim
- Área: 130 m² | Conclusão: 2024
A primeira loja física da padeira Marta Carvalho precisava traduzir para a arquitetura o caráter artesanal de sua produção. A resposta aparece em poucos elementos de grande presença.
Balcão, banco e prateleiras foram concebidos como elementos de concreto moldados in loco. O balcão, especialmente, assume papel central na organização espacial, atravessando o ambiente e ajudando a definir a experiência do cliente. O cimento polimérico pigmentado contribui para estabelecer a paleta cromática, acompanhado por ladrilhos hidráulicos salpicados no piso.
- Materiais e elementos: Concreto moldado in loco, cimento polimérico pigmentado, ladrilho hidráulico e madeira.
- O que chama atenção: Poucos materiais são utilizados para criar uma identidade extremamente reconhecível.
- Referência para arquitetos: Repetição e coerência material podem ser mais poderosas do que uma grande quantidade de acabamentos.
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7. Cozinha São Pedro — Itu, SP
- Arquitetura: VAGA Arquitetura
- Autores: Fernando O’leary, Pedro Domingues e Pedro Faria
- Local: FAMA Museu | Ano: 2021
Projetar dentro de um antigo complexo industrial exige uma pergunta importante: quanto devemos interferir? A Cozinha São Pedro ocupa uma construção da antiga Companhia Fiação e Tecelagem São Pedro, hoje integrada ao FAMA Museu.
A proposta foi adaptar o espaço para funcionar como restaurante e também receber eventos, estabelecendo um diálogo entre linguagem contemporânea, patrimônio industrial e as obras de arte existentes no complexo. Elementos históricos foram preservados e recuperados, incluindo as características paredes de tijolos aparentes.
- Materiais e elementos: Tijolo aparente, estruturas existentes e intervenções contemporâneas.
- O que chama atenção: O equilíbrio entre patrimônio histórico e novo uso.
- Referência para arquitetos: Projetos de reuso adaptativo podem encontrar sua força justamente nas imperfeições e marcas deixadas pelo edifício original.
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8. Cuscuz da Irina — São Paulo, SP
- Arquitetura: Sertão Arquitetos
- Área: 234 m² | Ano: 2022
Como transformar a memória afetiva da “casa de vó” em arquitetura sem cair em uma cenografia temática? Esse foi um dos desafios do Cuscuz da Irina.
O Sertão Arquitetos preservou características da antiga residência, como portão metálico, janelas de madeira, guarda-corpos e telhado de duas águas. A antiga garagem transformou-se em varanda, recebendo bancos comunitários e piso de seixos polidos. Cobogós ajudam a organizar entrada e infraestrutura. Internamente, a paleta nasceu da própria gastronomia: uma bancada amarela remete ao cuscuz. Uma limitação estrutural — uma viga que não poderia ser removida — acabou sendo incorporada através de uma grande mesa comunitária.
- Materiais e elementos: Cobogó, madeira de demolição, cerâmica artesanal, seixos, cimentado e vegetação tropical.
- O que chama atenção: Arquitetura, gastronomia e memória afetiva são trabalhadas como partes da mesma narrativa.
- Referência para arquitetos: Uma limitação estrutural pode deixar de ser um problema e se transformar no ponto de partida para uma boa solução.
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9. J.A.P.A. — Caraíva / Porto Seguro, BA
- Arquitetura: Daniel Fromer + Kika Camasmie
- Conceito: Japão encontra Bahia
O projeto do J.A.P.A. parte do encontro entre duas linguagens aparentemente distantes: o minimalismo e a precisão da arquitetura japonesa de um lado, e a informalidade e a atmosfera tropical da Bahia do outro.
Inserido em um terreno cercado pela vegetação local, o restaurante estabelece uma relação delicada entre construção e paisagem. A madeira ebanizada assume protagonismo tanto na arquitetura quanto no mobiliário, criando unidade visual e contrastando com o verde abundante.

- Materiais e elementos: Madeira ebanizada, materiais naturais e vegetação existente.
- O que chama atenção: Duas referências culturais diferentes são combinadas sem transformar o restaurante em um cenário literal.
- Referência para arquitetos: Trabalhar referências culturais significa interpretar princípios — e não simplesmente reproduzir símbolos.
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10. Restaurante Alameda — São Paulo, SP
- Arquitetura: Biselli Katchborian Arquitetos + Zanatta Figueiredo Arquitetos
- Paisagismo: Marcelo Faisal | Área: 580 m² | Ano: 2018
- Local: Esporte Clube Pinheiros
No Alameda, as árvores existentes não são elementos posicionados ao redor do projeto. Elas fazem parte dele. A implantação foi organizada a partir de um grid estrutural modular inserido em uma área de vegetação adulta.
A estrutura combina fundações de concreto, elementos metálicos e painéis de cobertura. Grandiosas superfícies transparentes, decks e áreas abertas ajudam a dissolver os limites entre salão e paisagem. O paisagismo também participa do desempenho ambiental, criando sombra e conforto térmico.
- Materiais e elementos: Concreto, estrutura metálica, madeira, vidro, deck e paisagismo tropical.
- O que chama atenção: Arquitetura e vegetação parecem ter sido projetadas como um único sistema.
- Referência para arquitetos: Árvores existentes podem determinar modulação, implantação e circulação — em vez de serem tratadas somente depois do projeto pronto.
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11. deBetti Ibirapuera — São Paulo, SP
- Arquitetura e conceito: Superlimão
- Localização: Próximo ao Parque Ibirapuera
Restaurante e mercado especializado em carnes maturadas convivem no mesmo espaço. Esse programa híbrido precisava funcionar tanto para quem permanece por horas à mesa quanto para quem entra apenas para uma compra rápida.
A proximidade com o Parque Ibirapuera forneceu a principal referência conceitual. Arcos tubulares metálicos vencem grandes vãos e remetem aos galhos das árvores. Acima deles, placas solares formam uma espécie de copa artificial: produzem energia e criam sombra para o deck. Vegetação trepadeira complementa a estrutura.
- Materiais e elementos: Estrutura tubular metálica, placas solares, vegetação trepadeira e grandes vãos.
- O que chama atenção: Um elemento técnico — a geração de energia solar — transforma-se na própria identidade arquitetônica.
- Referência para arquitetos: Sustentabilidade pode gerar forma e identidade em vez de aparecer apenas como tecnologia adicionada ao projeto.
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12. Restaurante Osso — Belo Horizonte, MG
- Arquitetura: Gustavo Penna
- Capacidade: Aproximadamente 250 pessoas
No Osso, o coração do restaurante não foi escondido. A parrilla tornou-se protagonista. Emoldurada por uma grande superfície de vidro, ela permite que o preparo da comida faça parte da experiência espacial dos clientes.
A partir dela, a arquitetura desenvolve uma linguagem que combina elementos contemporâneos e rústicos. Ferro, vidro, couro e elementos metálicos reforçam a relação com fogo, carne e preparo.
- Materiais e elementos: Ferro, vidro, couro e aramados.
- O que chama atenção: A operação do restaurante transforma-se em espetáculo arquitetônico.
- Referência para arquitetos: Cozinha, bar ou área de preparo não precisam ser escondidos nos bastidores. Dependendo do conceito, podem se tornar protagonistas.
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13. Flairs Coquetelaria — Ribeirão Preto, SP
- Arquitetura: Nati Minas + Gabriela Mestriner
- Cidade: Ribeirão Preto, SP
Na Flairs, formas orgânicas e concreto aparente são utilizados para aproximar arquitetura contemporânea e natureza. A entrada de luz natural desempenha papel importante na percepção dos ambientes.
Em vez de criar apenas um grande salão aberto, o projeto procura equilibrar amplitude e sensação de intimidade. Curvas suavizam a presença do concreto, enquanto a vegetação estabelece contraste com a materialidade mineral.
- Materiais e elementos: Concreto aparente, formas orgânicas, vegetação e iluminação natural.
- O que chama atenção: Um material normalmente associado à rigidez ganha uma leitura leve através das curvas.
- Referência para arquitetos: Materialidade não determina sozinha a sensação de um ambiente; geometria, luz e paisagismo alteram completamente sua percepção.
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O que esses 13 restaurantes ensinam sobre arquitetura?
Apesar das diferenças de escala, cidade, gastronomia e linguagem, alguns princípios aparecem repetidamente nesses projetos:
1. **Arquitetura e marca precisam contar a mesma história:** O projeto deixa de ser um recipiente e passa a participar da identidade da marca. 2. **O existente pode ser mais valioso que o novo:** Preservar uma estrutura ou parede traz história autêntica que nenhum revestimento novo compra. 3. **Paisagismo não precisa entrar no final:** Vegetação e arquitetura devem ser projetadas como um sistema único. 4. **Restrições podem gerar as melhores soluções:** Limitações estruturais ou urbanas frequentemente viram o ponto alto do conceito. 5. **Sustentabilidade faz parte da estética:** Reaproveitamento, energia solar e estruturas preservadas constroem a própria linguagem arquitetônica.
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Perguntas Frequentes
O que caracteriza um grande projeto de arquitetura gastronômica?▼
Um grande projeto de arquitetura gastronômica integra marca, conceito, fluxo operacional, iluminação, acústica, conforto térmico e paisagismo, transformando a refeição em uma experiência espacial coerente antes mesmo do primeiro prato chegar à mesa.
Por que o reuso adaptativo e o retrofit são frequentes em restaurantes?▼
Preservar paredes existentes, estruturas históricas ou marcas do tempo confere ao restaurante uma identidade autêntica e história que nenhum acabamento novo consegue reproduzir, além de reduzir o impacto ambiental das demolições.
Como integrar o espaço público na arquitetura de restaurantes?▼
Projetos como a La Boulangerie 306 Sul (BLOCO Arquitetos) mostram como marquises e varandas públicas podem ser incorporadas ao programa do restaurante, aproximando o estabelecimento da cidade e criando vivência de calçada.
Qual a importância de escolher materiais sustentáveis em projetos comerciais?▼
Materiais reutilizados, taipa de pilão, madeiras certificadas e estruturas reaproveitadas constroem a própria identidade estética do espaço, provando que a sustentabilidade pode gerar forma e valor de marca.
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