O <strong>memorial descritivo de arquitetura</strong> é um dos documentos mais importantes de qualquer projeto — e também um dos mais negligenciados. Quando mal feito, pode reprovar a aprovação na prefeitura, gerar conflitos com o cliente e criar retrabalho desnecessário. Neste guia completo, respondemos as principais dúvidas sobre o tema.
O que é um memorial descritivo de arquitetura?
O memorial descritivo é um documento técnico-escrito que complementa as pranchas de projeto. Ele descreve, em linguagem clara e objetiva, todas as características da edificação: uso, sistemas construtivos, materiais, dimensões, acabamentos e decisões de projeto.
Diferença importante
As plantas mostram como o projeto é. O memorial descritivo explica o projeto — justificando as escolhas técnicas e apontando a conformidade com as normas e leis vigentes.
Quando o memorial descritivo é obrigatório?
- Aprovação de projetos na prefeitura: A maioria dos municípios brasileiros exige o memorial descritivo como parte do processo de licenciamento de obras.
- Registro em cartório: Para averbação de construções e regularizações de imóveis.
- Incorporações e condomínios: Exigido para registro do empreendimento no cartório de imóveis (Lei n.º 4.591/64).
- Financiamentos bancários: Caixa Econômica Federal, BNDES e outros agentes financeiros exigem o documento para liberação de crédito.
- Licitações públicas: Em projetos para órgãos públicos, integra o processo licitatório obrigatoriamente.
Dica profissional
Mesmo quando não obrigatório por lei, o memorial descritivo protege o arquiteto juridicamente e alinha as expectativas do cliente desde o início. Inclua-o em todos os seus contratos.
O que deve conter um memorial descritivo de arquitetura?
1. Identificação do projeto
- Nome do proprietário/contratante
- Endereço completo do imóvel (logradouro, número, bairro, município, estado)
- Número do lote, quadra e matrícula do imóvel
- Dados do responsável técnico: nome, CREA/CAU, ART/RRT
- Data de elaboração e revisão
2. Descrição geral da edificação
- Tipo de uso (residencial unifamiliar, comercial, misto etc.)
- Número de pavimentos
- Área total construída (m²)
- Área de cada pavimento discriminada
- Área permeável prevista
- Taxa de ocupação e coeficiente de aproveitamento calculados
3. Sistemas construtivos e estrutura
- Tipo de fundação prevista (radier, sapata, estaca etc.)
- Sistema estrutural (concreto armado, aço, madeira, alvenaria estrutural)
- Vedação vertical (alvenaria cerâmica, bloco de concreto, drywall, painel pré-fabricado)
- Cobertura: tipo de estrutura, telha, impermeabilização
4. Acabamentos e materiais por ambiente
| Ambiente | Piso | Parede | Teto |
|---|---|---|---|
| Sala de estar | Porcelanato 90×90 | Massa corrida + tinta látex | Gesso liso |
| Cozinha | Porcelanato 60×60 | Revestimento cerâmico até 1,50m | Gesso liso |
| Banheiro social | Porcelanato 45×45 | Revestimento cerâmico até 2,10m | Gesso liso |
| Área externa | Pedra natural | — | Pergolado de madeira |
Atenção
Quanto mais detalhada for essa tabela, menos margem para conflito com o cliente e com a fiscalização.
5. Instalações prediais
- Instalações elétricas: padrão de fornecimento, tensão, quadro de distribuição
- Instalações hidrossanitárias: origem da água, tipo de esgoto, fossa/sumidouro ou rede pública
- Instalações de gás: tipo (GLP ou gás encanado), localização do abrigo de botijão
- Previsão de instalações especiais (SPDA, câmeras, automação, energia solar)
6. Acessibilidade (NBR 9050)
Indicar se o projeto atende às normas de acessibilidade e descrever as soluções adotadas: rampas, piso tátil, largura de portas e corredores, barras de apoio, estacionamento para PCD.
7. Condicionantes legais
- Lei de uso e ocupação do solo do município
- Código de obras local
- Recuos e afastamentos obrigatórios atendidos
- Índices urbanísticos: TO, CA, taxa de permeabilidade
Como escrever um memorial descritivo passo a passo
Passo 1 — Comece pela identificação completa
Antes de escrever qualquer linha técnica, garanta que todos os dados de identificação do imóvel e do responsável técnico estão corretos. Um erro no número da matrícula pode reprovar o processo inteiro.
Passo 2 — Descreva o projeto de forma narrativa
Escreva um parágrafo introdutório que descreva o projeto em linguagem clara: tipo de construção, localização, uso previsto e principais características.
Passo 3 — Detalhe os sistemas por especialidade
Separe o documento em seções: estrutura, vedações, coberturas, instalações, acabamentos. Use subtítulos e listas para facilitar a leitura pelos técnicos da prefeitura.
Passo 4 — Monte a tabela de acabamentos por ambiente
Esse é o item que mais gera conflito com clientes. Documente com precisão qual material vai em cada ambiente — especificando linha, fabricante e dimensão quando possível.
Passo 5 — Verifique a conformidade legal
Antes de assinar, confira se o memorial cita corretamente as leis e normas aplicáveis ao município e ao tipo de obra. Leis de zoneamento, código de obras e NBRs aplicáveis devem ser mencionados.
Passo 6 — Assine com ART ou RRT
O memorial descritivo só tem validade técnica quando acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART, para engenheiros) ou do Registro de Responsabilidade Técnica (RRT, para arquitetos).
Quais são os erros mais comuns no memorial descritivo?
Erro 1 — Descrever o projeto de forma genérica
❌ Errado
"Piso em porcelanato"
✅ Correto
"Piso em porcelanato retificado 90×90cm, linha Stone, fabricante X, juntas de 3mm, rejunte cinza."
Erro 2 — Não atualizar o memorial quando o projeto muda
O memorial deve refletir a versão final do projeto aprovado. Qualquer alteração no projeto deve ser acompanhada de revisão do memorial.
Erro 3 — Usar modelos genéricos sem adaptar ao projeto
Muitos arquitetos copiam um modelo pronto e esquecem de adaptar ao projeto real. O fiscal de obras percebe imediatamente quando o memorial não corresponde às plantas.
Erro 4 — Omitir itens exigidos pelo município
Cada cidade pode ter exigências específicas. Verifique sempre a legislação local antes de protocolar o processo.
Memorial descritivo e gestão de projetos: a conexão direta
O memorial descritivo não é apenas um documento burocrático — ele é a <strong>espinha dorsal da gestão do seu projeto</strong>. Quando bem elaborado e mantido atualizado, ele serve como base para o orçamento e controle de custos, define o escopo do projeto, funciona como referência de qualidade durante a obra e protege o arquiteto juridicamente.
Ferramentas de gestão como o <strong>OrigamiFlow</strong> permitem vincular o memorial descritivo diretamente ao projeto no sistema, mantendo versões históricas, aprovações do cliente e checklist de documentação em um único lugar.
Experimente o OrigamiFlow grátis no primeiro mês — sem cartão de crédito. Gerencie projetos, documentos e clientes em uma só plataforma.
Começar GrátisOrganize seu escritório de arquitetura com o Origami Flow
Centralize projetos, clientes, financeiro, compras, RT e produtividade em um único sistema feito sob medida para arquitetos.
Perguntas Frequentes
O que é um memorial descritivo de arquitetura?▼
É o documento técnico-escrito que complementa as plantas do projeto, descrevendo materiais, sistemas construtivos, acabamentos e justificando as decisões técnicas.
O memorial descritivo é obrigatório?▼
Sim, na maioria dos municípios é exigido para aprovação na prefeitura, registro em cartório, financiamentos bancários, incorporações e licitações públicas.
O que não pode faltar no memorial descritivo?▼
Identificação do projeto e responsável técnico com ART ou RRT, sistemas construtivos, tabela de acabamentos por ambiente, instalações prediais, acessibilidade (NBR 9050) e referência à legislação local.
Qual o erro mais comum no memorial descritivo?▼
Usar descrições genéricas de acabamentos. O correto é especificar linha, fabricante e dimensão de cada material por ambiente.
O memorial descritivo precisa de ART ou RRT?▼
Sim. O documento só tem validade técnica com ART (engenheiros) ou RRT (arquitetos) do responsável técnico.

